sexta-feira, 3 de junho de 2011

Tira-gosto de folha de ASSA – PEIXE, especiaria da Feira do Troca de Olhos D’água

Cozinhar, além de ser um ato de amor, é fruto de muito estudo e experiência. Assim, estudando a respeito das diversas cozinhas, deparei-me com a cozinha griô, aquela passada oralmente de geração a geração. Aqui no planalto central a cozinha griô ainda é presença marcante. Um bom exemplo é o que ocorre em Olhos D’água, um povoado do município de Alexânia, a 90 km de Goiânia, capital do Estado de Goiás: a famosa Feira do Troca de Olhos D’água.


Neste final de  semana (4 e 5/06) é dia de feira. Ela ocorre duas vezes ao ano, sempre no primeiro domingo dos meses de junho e dezembro, tendo como seu maior atrativo o resgate de um importante traço cultural da região: a gambira ou catiragem e a comida regional, entre ela a griô. Durante muitos anos, essa foi a forma que a população encontrou para adquirir gêneros de primeira necessidade, que trocava por produtos artesanais. Se a sequência estiver certa esta será a 76ª feira.



O começo

Dizem que o melhor de Olhos D'Água é o seu silencio agrário, seu espírito de fazenda e seu denso grau de brasilidade. Universalmente falando.
Em 1974, Laís Aderne, estudante do curso de pós-graduação em Pedagogia da UnB, conheceu, numa viagem pelos arredores de Brasília, um lugarejo autenticamente goiano, de características bastante singulares. Diante da autenticidade e da simplicidade daquele lugar, Laís sentiu-se arrebatada.
Daí, juntou o povo, criou a Feira do Troca e esta veio a se tornar a tese final de seu curso de mestrado e mais uma tradição popular do povo brasileiro.
Para Brasília, aquele pequeno e curioso contato com uma realidade distante culturalmente e geograficamente próxima, representou meio que a descoberta de vida além das fronteiras do Distrito Federal para Olhos D'Água, representou o contato direto com os novos seres que habitavam a recém-inaugurada Nova Capital do país, que durante várias gerações, foi lenda que povoou o imaginário das pessoas do lugar.
E foi assim que tudo começou.
A troca é o ponto forte. Os turistas trazem coisas como roupas, sapatos, acessórios, utilidades domésticas usadas, mas em bom estado de conservação, e negociam diretamente com os expositores. O negócio é bom para os dois lados. Quem vem de fora deixa produtos úteis para os artesãos e leva para casa trabalhos artesanais como tapetes, bonecas, caminhos de mesa, chapéus, bolsas, esculturas, cerâmicas e adornos para casa e até produtos da roça como doces de frutas da região, queijos, ovos caipiras, feijão etc.


Mas o mais interessante, gastronomicamente falando, é a comida, a típica comida griô. Um dos pratos que mais me chama a atenção neste universo da feira é o tira gosto da folha de assa peixe. Quem me deu esta dica foi o jornalista Carlos Pontes, ele disse que o melhor lugar para degustar esta iguaria é no restaurante da D. Lázara.
Tipicamente brasileiro, este arbusto cresce espontaneamente e distribui-se geográficamente do Paraná à Bahia e na região Centro Oeste. Na medicina popular a Vernonia polyanthus é usada para problemas de pele, resfriados, problemas pulmonares, bronquites e tosse, etc. Ele é expectorante e diurético, entre outros. Nas terras onde cresce, recebeu várias denominações, como cambará-guaçu, cambará-branco e chimarrita.


Esta planta é ótima para o tratamento de problemas respiratórios em geral, como gripes, bronquites e tosses. O chá das folhas é muito utilizado como expectorante e calmante de tosses. Por isso, recomenda-se bebê-lo (adoçado com mel), em casos de gripe ou bronquite. Por sua ação expectorante, a assa-peixe também auxilia o tratamento de pneumonia. Na medicina popular também é utilizado para combater hemorróidas e para banhos nas afecções do útero. Empregada nas tosses, gripes e resfriados. Na gripe pulmonar, nas bronquites e tosses rebeldes, o ASSA-PEIXE diminui e acalma a tosse, aumentando a expectoração. Com seu uso, as doenças pulmonares, mesmo agudas, são subjugadas com eficiência, como as bronquites, pontadas e dores no peito. Na fraqueza pulmonar, abranda a febre e a tosse, aumentando o apetite e facilitando a digestão.


Para quem gostou, e não pode ir à Feira do Troca, fica aí a receita do tira-gosto de folha de ASSA-PEIXE.

Ingredientes

1 dúzia de folhas de assa-peixe colhidos na hora
½ xícara de amido de milho moído
2 colheres de sopa de tempero com sal, pimenta-do-reino branca moída, alho e cebola
2 ovos

Preparo

Quebre os ovos em uma tigela e coloque o amido de milho. Depois, o tempero. Misture bem essa massa para que as folhas sejam passadas nessa mistura antes de serem fritas.
Agora, passe as folhas do assa-peixe na mistura e coloque para fritar em óleo bem quente. À medida que elas são fritas, elas vão ficando com o aspecto de peixe frito. Daí o nome de assa-peixe para a planta. Vire as folhas durante a fritura.
Retire e escorra o excesso de gordura em papel-toalha.
Está pronto o prato.

Fontes:



terça-feira, 24 de maio de 2011

Aceita um Cafezinho!


  24 de maio – Dia Nacional do Café

Para falar do dia nacional do café é preciso, primeiro, lembrar um pouco da história do café. Como foi que ele surgiu.

Segundo os registros não há história e sim lendas, dizem que são várias, mas a mais aceita remonta de cerca de mil anos. Ela conta que Kaldi - um pastor que vivia na Absínia, Etiópia - um dia, observando suas cabras, notou que elas ficavam alegres e saltitantes sempre que mastigavam os frutos de coloração amarelo-avermelhada dos arbustos existentes em alguns campos de pastoreio.

Kaldi comentou o comportamento dos  animais com um monge da região, este, por sua vez, resolveu experimentar. Depois de um tempo o monge percebeu que, ao beber o líquido onde os frutos ficavam em infusão, ele tinha mais resistencia ao sono. Rapidamente a descoberta ganhos os outros monastérios. Como a demanda pela fruta cresceu os monastérios resolveram cultivá-la.

O nome café, como muitos pensam, não é originário da Kaffa, local de origem da planta, e sim da palavra árabe qahwa, que significa vinho. Por esse motivo, o café era conhecido como "vinho da Arábia" quando chegou à Europa no século XIV.

No início, o café era conhecido apenas por suas propriedades estimulantes e a fruta era consumida fresca, sendo utilizada para alimentar e estimular os rebanhos durante viagens. Com o tempo, o café começou a ser macerado e misturado com gordura animal para facilitar seu consumo durante as viagens.

Em 1000 d.C., os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas, fervendo-as em água. Mas somente no século XIV, o processo de torrefação foi desenvolvido, e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje. A difusão da bebida no mundo árabe foi bastante rápida.

O café passou a fazer parte do dia-a-dia dos árabes sendo que, em 1475, até foi promulgada uma lei permitindo à mulher pedir o divórcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária da bebida. A admiração pelo café chegou mais tarde à Europa durante a expansão do Império Otomano.

O café chegou ao norte do Brasil, mais precisamente em Belém, em 1727, trazido da Guiana Francesa para o Brasil pelo Sargento-Mor Francisco de Mello Palheta a pedido do governador do Maranhão e Grão Pará, que o enviara às Guianas com essa missão. Já naquela época o café
possuía grande valor comercial. Palheta aproximou-se da esposa do governador de Caiena, capital da Guiana Francesa, conseguindo conquistar sua confiança. Assim, uma pequena muda de café Arábica foi oferecida clandestinamente e trazida escondida na bagagem desse brasileiro.


Devido às nossas condições climáticas, o cultivo de café se espalhou rapidamente, com produção voltada para o mercado doméstico. Em sua trajetória pelo Brasil o café passou pelo Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Num espaço de tempo relativamente curto, o café passou de uma posição relativamente secundária para a de produto-base da economia brasileira.


Desenvolveu-se com total independência, ou seja, apenas com recursos nacionais, sendo, afinal, a primeira realização exclusivamente brasileira que visou a produção de riquezas.



Por quase um século, o café foi a grande riqueza brasileira, e as divisas geradas pela economia cafeeira aceleraram o desenvolvimento do Brasil e o inseriram nas relações internacionais de comércio. O café trouxe grandes contingentes de imigrantes, consolidou a expansão da classe média, a diversificação de investimentos e até mesmo intensificou movimentos culturais. A partir de então o café e o povo brasileiro passam a ser indissociáveis


Depois de uma longa crise, a cafeicultura nacional se reorganizou e os produtores, industriais e exportadores voltaram a alimentar esperanças de um futuro melhor. A busca pela região ideal para a cultura do café se estendeu por todo o país, se firmando hoje em regiões do Estado de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Bahia e Rondônia. O café continua hoje, a ser um dos produtos mais importantes para o Brasil e é, sem dúvida, o mais brasileiro de todos. Hoje o país é o primeiro produtor e o segundo consumidor mundial do produto. Atualmente existem  mais de mais de 300 mil propriedades produtoras, de diferentes dimensões, que produzem uma grande variedade de cafés.



E a boa notícia para se comemorar, nesse dia nacional do café, é a de que o Brasil vive hoje sua melhor colhetia desde 1974, segundo o pesquisador Celso Vegro, do Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo.
Fonte: http://www.abic.com.br/

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os caminhos da Gastronomia

Interessante o caminhar do mundo e dos homens.
Sempre dizem que devemos sair da rotina, mudar o percurso diário, fazer as coisas de outra maneira, trocar os horários. Tudo isso para repararmos mais na vida e ativar nossa mente, fazendo com que ela não atrofie. Isso é melhor ainda quando iniciamos uma nova jornada, completamente diferente da trilhada até agora. Pelo menos comigo tem sido assim.

Como afirmei, na minha apresentação, comecei a trilhar o caminho gastronômico depois de mais de 30 anos de jornalismo. Apaixonei-me, e, a cada dia, tenho tido mais motivos para fortalecer essa paixão. Conhecer a historia da humanidade, por meio da comida e sua influência nos homens, tem sido, para mim, uma experiência fantástica. Tem me feito refletir sobre o papel da comida nas nossas vidas e a verdadeira importância de quem se dedica a melhorá-la, tanto no sentido da pesquisa, da produção e do fortalecimento, quanto no sentido da preparação e degustação. Hoje se questiona muito o futuro da cozinha atual, o que mais vai surgir depois das cozinhas molecular, natural, antropológica ecológica, cultural, e tantas outras novas técnicas de preparo e mistura de sabores, aromas e formas... Enfim, o tema é profundo e precisa de muita pesquisa e discussão. Nesse sentido foi com satisfação que li, hoje, no caderno COMIDA da “Folha de S. Paulo”, a matéria “COZINHEIRO MILITANTE”. O texto fala do encontro dos melhores chefs do mundo, que vai ocorrer em Lima no Peru, para justamente discutir o papel do cozinheiro e os rumos da gastronomia. Achei maravilhoso porque quem ganha com tudo isso, além dos chefs, são os “comedores” como bem define o sociólogo Carlos Alberto Dória. Quisera poder estar presente, como estudante e amante da gastronomia. Acredito que este será um momento importante para o caminho gastronômico, tal qual foi a trajetória de Carême e Escoffier no passado. Parabéns à iniciativa dos chefs. Para quem tiver interesse, a matéria pode ser lida no link:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/comida/co1905201113.htm